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Empresas da Nova e da Velha Economia se diferem, via de regra, por seu modo de operação. E como estamos passando por um período de profunda transformação, na qual as empresas que conseguem se tornar ambidestras saem na frente, é importante trazermos o assunto à tona. Organizações de vinte anos ou mais costumam operar no que chamo de modo 1 de operação. Já aquelas que integram a Nova Economia são caracterizadas, predominantemente, pelo modo 2 de operação. Modos 1 e 2 de operação - Empresas Ambidestras Agora, levando em conta a velocidade com que precisamos tomar decisões disruptivas para sobreviver em um mercado altamente competitivo, a questão que se coloca é: o que cada um desses modos de operação possui de melhor? E mais: como tornar uma empresa ambidestra, ou seja, fazer com que ela atue de acordo com ambos os modos de operação e, assim, se torne equilibrada e consiga garantir sua presença no cenário econômico? Os dados não me deixam mentir: empresas da velha economia que estão conseguindo realizar essa transição já compreenderam a importância e relevância dessa estratégia. Tornaram-se ambidestras para conseguirem avançar, e estão conscientes de que o processo de transformação não é nada trivial e ocorre de dentro para fora, através das pessoas e da respectiva transformação dos traços de cultura organizacional.
Características dos dois modos de operação 
Empresas da Velha Economia foram fundadas em um período que compreende os modelos tradicionais de negócio, pautados pelo início da industrialização, pelas trocas comerciais entre os países e pelo início de uma movimentação financeira. Já as da Nova Economia foram criadas após o advento da globalização, período em que a era da informação trouxe consigo diversas novidades tecnológicas, permitindo o desenvolvimento do comércio eletrônico, por exemplo. Tudo ia bem em relação a essa transição. Porém, um novo “catalisador” acelerou esse processo de uma forma não prevista. As novas e convergentes tecnologias aceleram de forma significativa a revisão da lógica de pensamento e organização mesmo das empresas já nascidas na Nova Economia. Para ficar mais claro, vamos entender como opera cada um dos modos?
São aspectos do modo 1 de operação:
  • São empresas geralmente fundadas na Velha Economia;
  • Competem, via de regra, em mercados e negócios maduros;
  • A melhoria contínua e redução de custos são muitas vezes as chaves para o sucesso;
  • Têm foco no aproveitamento de oportunidades;
  • O tipo de inovação predominante é a incremental;
  • Produtos e serviços são feitos de maneira rápida, barata ou melhor – embora essas melhorias sejam difíceis e caras, atraem um grupo já existente de competências e avançam por uma trajetória conhecida.
  • Esses avanços aproveitam o atual estoque de conhecimento organizacional.
Características do modo 2 de operação:
  • Empresas geralmente já nascidas na Nova Economia;
  • Em sua maioria, competem em mercados e negócios de tecnologia e finanças;
  • Buscam novas tecnologias e modelos de negócio que exigem experimentação e inovação;
  • Têm foco na exploração;
  • Tipo de inovação predominante é a disruptiva;
  • A empresa precisa desenvolver novas competências e abordar novos mercados.
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E as ambidestras?
Quando uma empresa se propõe a ser ambidestra, seus líderes devem ser capazes de competir em negócios maduros, que são tipicamente a fonte dos lucros atuais, aproveitando ativos e conhecimentos existentes, enquanto se preparam para mercados futuros usando esses ativos e conhecimentos para explorar novos empreendimentos. Mas apesar de ser conceitualmente fácil compreender que são necessários alinhamentos diferentes para estratégias diferentes, fazer isso dar certo pode ser bastante complexo. O problema é que ter sucesso em negócios mais maduros e competitivos é muito difícil e, com frequência, consome os recursos e atenção da gestão. Experimentar novos negócios e modelos de gestão é visto, em geral, como uma distração ou algo que não garante as receitas e margens de lucros que o negócio atual pode proporcionar. Assim, a tendência acaba sendo investir demais no modo 1 de operação, que foca no aproveitamento, e de menos no modo 2 de operação, que foca na exploração. Uma empresa ambidestra alcança o sucesso a longo prazo quando é capaz de competir com êxito tanto em negócios maduros quanto em novos, quando consegue aproveitar ativos e conhecimentos existentes e aplicá-los na exploração e criação de novos. Infelizmente, organizações grandes e bem-sucedidas, oriundas em sua maioria da Velha Economia, muitas vezes se tornam vítimas do próprio sucesso. Para piorar, diante do ritmo acelerado da mudança, essa tendência parece estar aumentando. As empresas que querem ser ambidestras e operam, predominantemente, no modo 1 de operação, devem ter consciência de que a transformação será de dentro para fora. Será realizada através das pessoas e lideranças. Significa, antes de tudo, um processo de transformação de cultura e/ou digital.
O sucesso da estratégia das empresas ambidestras ocorre quando:
  1. As unidades exploratórias do modo 2 de operação conseguem alavancar os ativos da organização-mãe e obter vantagens competitivas;
  2. Existe um apoio muito significativo das principais lideranças da organização;
  3. Há um entendimento de que a alocação de capital para as unidades exploratórias é invariavelmente mais incerta do que os retornos que podem ser obtidos pelo reinvestimento na empresa existente;
  4. A alta administração assume o papel de administrar a interface entre o novo negócio e o negócio maduro, além de resolver os inevitáveis conflitos que ocorrem;
  5. Quando na matriz de investimentos, fica evidente que recursos valiosos do negócio maduro passam a ser aplicados aos novos;
  6. A organização entende a importância de separar a unidade exploratória da organização maior. Permite às unidades exploratórias a se libertarem da estrutura e processos antigos e oferecem um novo começo;
  7. Quando os resultados deixam de ser observados em eventos isolados e passam a se tornar um conhecimento organizacional replicável; quando deixam de ser iniciativas de um indivíduo ou líder e passam a ser um novo processo;
  8. Quando o sistema imunológico já não expele mais as iniciativas do modo 2 de operação e ambos os modos passam a conviver de forma harmônica em um mesmo sistema imunológico.
7 empresas da velha economia que se adaptaram e estão mais fortes que nunca Já existem bons exemplos de empresas nascidas na Velha Economia e que estão conseguindo se reinventar. Elas estão utilizando uma Estratégia de serem ambidestras. Por fim, vale reforçar que empresas ambidestras necessitam de líderes ambidestros. Mas isso é assunto para outro artigo.
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