Anúncios

Este é um momento de transição para as empresas. Estamos migrando da era industrial para a digital e as mudanças que vêm com esse processo são extremamente aceleradas, dando conta de uma lógica não-linear e não-segmentada. E é preciso se reinventar, principalmente se a sua empresa for da dita velha economia. Para ler este artigo então, que fala sobre o que é preciso nessa transição, eu sugiro a leitura prévia do artigo Os dois modos de operação de empresas ambidestras”.

Dito isso, quero deixar claro que ciclos de Transformação Organizacional bem-sucedidos são, via de regra, longos e exigem uma mobilização de esforços e recursos significativa. A resistência que eles geram também não é à toa: vem do alto impacto que causam no status quo. É por isso que ando acostumado com as perguntas que recebo sobre esse processo. “Mas como saber se a minha jornada de transformação está fadada ao fracasso ou ao sucesso?”; “Como posso saber se já existem condições mínimas para levá-lo adiante?”.

Ciclos de Transformação – os 7 elementos essenciais

Seja integrando ou estando à frente de  importantes processos de transformação, nos últimos anos aprendi que alguns elementos são determinantes para o sucesso de qualquer transformação, e me dei conta de que eles podem ajudar a responder perguntas como essas. Entretanto, é preciso ficar atento: a falta de um ou mais desses elementos pode comprometer substancialmente o resultado desejado.

Abaixo, então, os 7 elementos:

Ciclos de Transformação – os 7 elementos essenciais

1 – O propósito no centro da Transformação.

Ao contrário de tudo o que aprendemos até hoje, deixa de estar no centro de um Ciclo de Transformação a organização A ou B ou um líder X ou Y. Mas esses atores passam a orbitar um propósito comum. As pessoas e suas respectivas organizações irão se mover se esse propósito fizer sentido para elas, para suas carreiras ou sua comunidade. A partir de um propósito, todos se conectam e entregam suas competências.  É neste ponto que o engajamento se torna mera consequência.

Propósito

O Propósito no centro da Transformação

2 – Competências a serviço da Transformação 

Um propósito transformador servirá como uma espécie de ímã para atrair e/ou reter pessoas. A liderança também se torna cada vez mais situacional. Todo o processo estará muito relacionado à competência que deverá ser entregue em cada momento da jornada. A liderança dessa transformação será trabalhada a várias mãos. Assim, a liderança de um Ciclo de Transformação dependerá cada vez menos de líderes formais e mais das competências disponíveis.

3 – Nova lógica de pensamento

Precisamos entrar na lógica de abundância, que exige uma forma exponencial de pensamento, um mindset digital. A questão em contraponto aqui é que existe uma lógica ainda predominante em quase todos os setores de nossa economia: a lógica de escassez, que utiliza um mindset linear.

Lógica de Pensar

Pensamento Linear e Exponencial

Na minha opinião, está aqui o novo e mais importante papel do(s) líder(es) ou sponsor de qualquer novo Ciclo de Transformação. Primeiramente, entender a importância dessa mudança na lógica de pensamento. Na sequência, fazer a sua própria mudança em relação à mesma. Por fim, ser um patrocinador e catequizador de todos os membros do time envolvido na mudança. Ser um guardião para que o protagonismo seja colocado sempre no coletivo e no propósito.

4 – Nova lógica de organização

Essa nova lógica de pensamento leva a uma nova forma de organização. Estruturas descentralizadas e, no melhor caso, distribuídas serão fundamentais para potencializar o melhor de todos os atores envolvidos nesse processo.

Rede Distribuída

Rede Distribuída como nova lógica de organização

Esqueçam os líderes (ou chefes) que ditavam o que fazer e não fazer dentro das organizações. Deixem de lado também os “bons gestores” que apenas seguiam as ordens dos mesmos, por medo ou conveniência. Trabalhar em sistemas distribuídos coloca todos em uma posição de igualdade em relação às competências que precisarão entregar para a transformação em curso. Lembrando que será o propósito que colocará todos os atores trabalhando de forma distribuída sem que isto seja algo difícil ou doloroso. Se você quiser conhecer alguns exemplos práticos de como se organizar nessa nova lógica de pensamento, clique neste link.

5 – Espaço para o diálogo e a diversidade

Outro ponto que será fundamental para a qualidade das discussões e ideias a serem sugeridas ao longo de um processo de transformação é o espaço para o diálogo e a diversidade. Lembre que o diálogo é algo totalmente distinto do debate! No texto “O diálogo e a mentalidade digital“, detalho como o diálogo fomenta vários atributos que são chaves para o sucesso em um novo contexto de mundo.

6 – Agir e errar rápido

A partir desse diálogo entre todos os atores é que se construirá um planejamento das ações. Jake Knapp, criador do método Sprint usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias, reforça a necessidade de mudar a mentalidade do protótipo. Segundo Knapp, quanto mais tempo você passa trabalhando em um projeto, mais apegado ficará e, assim, menos disposto a aceitar resultados negativos. Nos primeiros dias de projeto, você estará receptivo a feedbacks. Após três meses, estará comprometido e mais resistente aos mesmos.

Da ideia ao lançamento

Em uma forma de pensamento mais exponencial, a ideia principal é a de agir de forma mais rápida em relação a prototipação e validação da ideia/solução. Além disso, realizar provas de conceito ou piloto da solução em um ambiente menor e controlado e no menor tempo possível.

Para isso, é preciso treinar as pessoas para que os erros sejam aceitos. Em um cenário onde é necessário correr riscos, não pode haver penalizações por conta dos erros de cada tentativa. É isso que fomenta uma cultura de inovação.

7 – Coragem e resiliência

Por fim e não menos importante está a questão da coragem e resiliência. Coragem para que se possa levar todos os elementos anteriores adiante; resiliência para entender que as novas transformações exigirão competências, lógicas e formas de pensar e se organizar muito distintas do que aprendemos, via de regra, ao longo de nossas carreiras. Precisaremos gerar diálogos produtivos, considerando mentalidades distintas das nossas. Apesar de serem atributos mais subjetivos, ambos podem e devem ser considerados antes de iniciarmos qualquer mudança. A falta deles poderá comprometer a sustentabilidade de todo o ciclo, deixando-o mais vulnerável aos fatores de resistência inerentes a qualquer processo de mudança.

Os 7 elementos aqui relatados são essenciais para o sucesso de qualquer Ciclo de Transformação. Espero que você possa considerá-los antes de iniciar qualquer novo processo, principalmente se você desempenhar um papel de liderança na articulação e diálogo entre todos os atores envolvidos. Como está o processo de transformação de sua empresa? Compartilhe conosco nos comentários!

 

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: