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Algumas perguntas que não querem calar: Por que alguns processos de mudança organizacional são efetivos e outros não? O que diferencia os processos bem sucedidos de outros que acabam ficando pelo caminho? Quais fatores deveriam ser previamente avaliados antes de qualquer mudança?

Uma rápida análise da realidade de importantes organizações permite a identificação de vários processos de mudança que mais comprometeram o desempenho atual da organização do que a levaram para outro nível de performance.

São três, as variáveis que deveriam ser melhor analisadas antes de qualquer tipo de decisão. Primeiramente, se existe um conjunto mínimo de conhecimentos e competências para levar a mudança adiante. Como segundo fator, se existem líderes com o perfil e “coragem” para sustentar todo o processo. Por fim, mas não menos importante, se o momento é oportuno para a realização da mudança.

1 – Todo o conhecimento e as competências necessárias já estão disponíveis ou ao alcance da organização?

Minimamente, antes de se iniciar qualquer processo é necessário verificar se já existem os conhecimentos e as competências que irão permitir a revisão do processo e do modelo mental das pessoas envolvidas. Para que essa avaliação possa ser realizada é importante deixar claramente explicitado o “ponto de chegada” almejado. Obviamente, tudo o que está entre a situação atual e o ponto estabelecido no futuro irá requerer novos conhecimentos. Esses serão transformados em novas competências individuais e organizacionais.

Em qualquer caso se faz necessário um melhor entendimento do “como” esta transição ocorreria. Que competências seriam necessárias para que esta mudança pudesse ocorrer, efetivamente? Esses conhecimentos e/ou competências de alguma forma existem junto aos indivíduos e à organização? Se a resposta for negativa, seria interessante verificar se a companhia possui recursos financeiros para buscar o apoio em pessoas e/ou organizações que já tenham trilhado caminhos semelhantes. Enfim, é muito importante que os líderes dessa mudança saibam dimensionar o tamanho do passo a ser dado. Para assim não comprometerem os resultados desejados.

 2 – Os líderes possuem o perfil adequado e a “coragem” necessária para liderar e sustentar todas as dificuldades inerentes à mudança?

As principais mudanças organizacionais não dependem somente de novos conhecimentos e do desenvolvimento de novas competências. Dependem também de pessoas que tenham “coragem” e estejam dispostas a liderar a mesma. No entanto, a busca por líderes com uma atitude positiva e que se sintam encorajados a fazê-la nem sempre é a parte mais fácil dessa equação.

Também não é incomum, dentro das organizações, depoimentos de executivos, os quais se dizem despreparados para lidar com uma determinada mudança organizacional. Principalmente, se esta poderá impactar na manutenção de sua atual posição na organização. Assim como, no seu relacionamento com pares, superiores e equipe.

As principais mudanças que culminam na entrega do resultado esperado são, em geral, lideradas por pessoas que possuem coragem organizacional. Que não temem, em nenhum momento, sacrificar a sua “agenda individual” em prol da “agenda organizacional”.

Líderes com coragem e perfil adequado para liderar importantes processos de mudança, porém sem os conhecimentos e competências mínimos necessários, podem representar um grande risco à Organização. Por outro lado, apenas um bom nível de conhecimentos e de competências, sem uma liderança adequada e uma boa dose de coragem de levá-la adiante, pode significar apenas uma boa intenção!

3 – O momento é oportuno para iniciar a mudança organizacional?

Por fim, e não menos importante, está a definição do momento oportuno para que a mudança ocorra. Qual a real necessidade de se iniciar a mudança neste momento? Se não iniciarmos, o que acontecerá? Quais são os principais “motivadores” para a mesma? Estes motivadores também se justificam no médio e longo prazo? De onde vem o “patrocínio” para que a mesma ocorra em tempo e forma? Já existiram outras iniciativas similares de mudança? Se sim, por que elas foram bem sucedidas ou fracassaram?

Todos os questionamentos anteriores ajudam na melhor avaliação da relevância da mudança e se ela irá se sustentar até o ponto de chegada. Deve, realmente, estar conectada a um problema crítico da agenda organizacional. Esta é uma armadilha comum, pois de fato muitas das iniciativas são apenas motivadas pela agenda individual de seus líderes. Não conversam com os propósitos maiores da agenda organizacional, tampouco objetivam melhorias do desempenho e da performance da organização.

Ainda que confirmada a relevância da mudança, cabe a pergunta se o momento de iniciá-la de fato chegou. Assim como na vida pessoal, muitas vezes apesar da necessidade da mudança ser óbvia, a organização também precisa um tempo. Ela precisa entender e aceitar a importância da mesma para o seu crescimento ou, até mesmo, para a sua sobrevivência.

Agora é com você

Não é a toa que muitas das principais mudanças que ocorrem conosco e se tornam mais duradouras são oriundas de um processo doloroso. A dor tem sido um dos principais motivadores de importantes mudanças pessoais. No mundo organizacional isso não é muito diferente. A perda contínua de participação de mercado, rentabilidade, produtividade são alguns exemplos de “dor organizacional”. Por vezes, elas apoiam o desencadeamento de importantes mudanças.

Enfim, a decisão do momento de se iniciar uma mudança depende também da sensibilidade da organização. O líder do projeto e o patrocinador da mesma devem avaliar se os ganhos e benefícios da mudança serão maiores ou menores se a mesma iniciar de forma proativa.

Portanto, uma melhor compreensão e avaliação desta e das demais variáveis apontadas ao longo deste artigo irão facilitar o processo decisório sobre o momento ideal de se iniciar. Todavia, o objetivo não é desestimular ou colocar entraves a nenhuma mudança em sua organização. Apenas ajudar na reflexão sobre o momento mais adequado para iniciá-la.

Num mundo onde mudar é essencial, nem sempre a melhor decisão é a de começar agora. Pense nisso!

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