Anúncios

Muitas pessoas utilizam-se do momento em que vivemos, da falta de confiança e crença em nossas instituições, país ou empresas, para justificar o seu desânimo frente a atual realidade. Por outro lado, outras nunca estiveram tão cientes, energizadas, entusiasmadas com o seu papel e atuação neste mesmo contexto. Por que existem, considerando-se um mesmo cenário, visões tão díspares ou antagônicas? O que um lado está visualizando que o outro não está? Será que a diferença está apenas na capacidade de visão ou no sentido que cada um dá para a sua realidade? Várias poderiam ser as respostas, porém a capacidade de conectar-se consigo mesmo e com o seu verdadeiro propósito nesta vida parece ser a grande explicação.

O cenário atual não deixa de ser uma oportunidade ideal para, além de nos conectar ao mundo, nos conectar a nós mesmos. Descobrirmos porque aqui estamos, o que nos energiza e nos desafia a entregarmos algo mais. Da mesma forma, como podemos, ser úteis aos que nos rodeiam. Aos diferentes ambientes nos quais estamos inseridos é fundamental.

Estamos falando da descoberta e consciência de um propósito que justifique a nossa passagem por esta vida, as marcas, o legado e as lembranças que queremos deixar e, por elas, sermos lembrados.

O Propósito é Atemporal

O propósito é único, atemporal, individual e intransferível. Fornece um sentido para a nossa vida e para a forma como lidamos com a realidade ao nosso redor. Isso explica porque, em contextos idênticos, as respostas das pessoas são tão distintas. Há quem chore com a crise, entretanto existem os que nela visualizam infinitas oportunidades. Ainda há aqueles que se paralisam mediante o novo e a mudança. Contudo existem os que desfrutam e surfam na onda do inesperado e do imprevisível.

No mundo organizacional não é diferente. Há quem viva cada dia, sem nenhum entusiasmo e esperando o anúncio do pior. Porém existem os que se transformam e assim ajudam a transformar suas próprias empresas e/ou negócios.

Ethos

Joey Reiman, em seu livro “Propósito”, nos oferece uma leitura inspiradora para diagnosticarmos o verdadeiro “ethos”, a essência de cada organização/negócio. Ele propõe que cada Empresa nunca fuja daquilo que realmente a distingue de todas as outras. Quando uma organização perde as suas raízes, perde também o seu propósito e o seu significado. Segundo Joey, é o propósito que irá sustentar a cultura nos tempos sombrios e a elevará nos tempos áureos. Em conjunto “ethos”, cultura e valores irão compor a “caixa preta” da estratégia. Fornecerão um sentido para a organização!

Sempre que nos distanciamos do nosso “ethos”, ou seja, de nossas raízes, de quem pensamos ser, do que nos diferencia, de nossa razão de existir, perdemos a lucidez do que nos move nesta vida.

Ficamos à deriva e aceitamos ou fazemos coisas que pouco sentido nos fazem e, obviamente, onde pouca ou mínima energia mobilizamos para alguma entrega ou dedicação diferenciada. Em uma situação extrema, entramos em um quadro de anomia, ou seja, da falta de propósito e assim passamos a viver em total descompasso com a realidade que nos cerca e, consequentemente, com nós mesmos.

O Propósito é nossa Obra Maior

Nos últimos anos muito se tem falado da necessidade, em função de todo o novo contexto de trabalho e de conectividade, de ressignificarmos o sentido do trabalho. Contudo, na verdade, precisamos, antes de mais nada, declararmos o nosso propósito.

O propósito não é um fim e sim o início de tudo, o nosso “ethos”, o que verdadeiramente trás o sentido para a nossa vida. Ele é a nossa obra maior!

O propósito está, via de regra, na intersecção daquilo que temos imenso prazer em fazer com o que realmente fazemos de forma única e diferenciada e, por fim, com algo que traga algum benefício para o coletivo ou para o contexto no qual estamos inseridos. Você já parou para pensar nisso? O que está no seu ponto de intersecção? Qual a clareza que você possui de seu propósito?

Quando encontramos esta resposta, passamos a seguir uma causa, somos chamados a algo maior (independentemente de onde estivermos e com quem estivermos). Quando temos a clareza de nosso propósito como empresa ou como indivíduo, nos conectamos de dentro para fora. Conseguimos facilmente identificar se uma determinada meta ou situação faz sentido. Eliminamos o que nos desvia desse foco, escolhemos “o que fazer” e “o como fazer” como resultantes de uma decisão anterior, ou seja, “o porque fazer”!

Não conecte-se apenas com as suas metas, sejam elas pessoais ou profissionais, conecte-se com o seu propósito e, assim, potencialize o melhor de você para consigo mesmo e para com o mundo!

Anomia Coletiva

Obviamente, a busca por essa resposta é bastante desafiadora! Algumas situações dificultam o entendimento e a definição clara de nosso propósito. Primeiramente, porque antes de tudo, somos convidados a sobreviver. Precisamos, na maioria dos casos, de um trabalho que nos possibilite avançarmos e suprirmos nossas necessidades. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer deveria, de alguma forma, estar conectado ou alinhado a um propósito. Não estando, estaremos perdendo um tempo precioso, ou seja, desorientados em nossa real direção e quem sabe já vivendo ou fazendo coisas em um estado automático de anomia.

Segundo, porque estamos rodeados por uma anomia coletiva e/ou organizacional. Não existe engajamento sem a conexão entre o propósito e os valores dos indivíduos para com a empresa e vice-versa. Pesquisas recentes mostram que apenas 25% dos funcionários estão altamente engajados com suas empresas (Pesquisa AON – Tendências Globais de Engajamento dos Funcionários 2016). Isso demonstra que a maioria de nossos amigos e colegas do dia-a-dia não são referenciais nesse sentido.

A Liderança e o Propósito

De forma não muito diferente, também podemos falar da anomia de nossas lideranças. Uma liderança com clareza do seu propósito auxilia, inclusive, os outros a encontrarem e executarem seus próprios propósitos. Esses líderes são fieis as suas crenças, transparentes, autênticos e, principalmente, apaixonados pelo que fazem. Quantos líderes com essas características você conhece em sua organização? Com certeza, não muitos. Temos sim, muitos e bons gestores em nossos quadros, mas ainda carecemos de um volume maior de líderes com propósito. Eles são imprescindíveis, inclusive, para ativar propósitos adormecidos ou ainda desconhecidos pelos membros de sua equipe.

Enfim, todos esses exemplos servem para demonstrar que ao “ativar” um propósito individual (seja o seu ou dos outros) e conectá-lo a algo maior ou coletivo, existirá uma liberação de energia capaz de movimentar montanhas. Não haverá mais justificativas, e sim certezas de que todos e quaisquer obstáculos que surjam serão transpostos e superados. Entregaremos o nosso melhor para que isso ocorra e ainda o faremos de forma prazerosa. Crise e momentos de dificuldade serão apenas palavras e expressões de motivação, e nunca o contrário.

Reflita e pense sobre isso! Talvez, você possa começar não deixando “a sua obra” em um segundo plano. Boa reflexão e uma excelente jornada!

Fontes referenciadas:

– Reiman, Joey. Propósito – Por que Ele Engaja Colaboradores, Constrói Marcas Fortes e Empresas Poderosas. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora HSM, 2013.

– Pesquisa – Tendências Globais de Engajamento dos Funcionários 2016. AON, 2016.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: